111Prosas Que Versam
 

                    Vou fazer uma pergunta direta, como das minhas: Você conhece algum poeta chamado Hiago Rodrigues Reis de Queirós? Não? Claro! Porque este poeta não existe!

                 Olha... vou te fazer um resumo... é básico do básico. Este livro se chamaria Somente “Folhas Poéticas”; a princípio eu tinha oitenta e cinco poesias para ele, que compus durante um ano e tantos dias:(2003).

                 Lembro-me que na época eu estudava, mas não falava pra ninguém que escrevia... sabe, eu fazia aquilo pra mim... pra eu chegar em casa e encontrar num papel alguma emoção, algum tipo de sentimento que não sentia ao ler os poetas clássicos e consumadamente imortalizados... e sim, com certeza, para o Hiago ele não é um poeta.

                Descobri que o que me fascinava era eu compor, eu escrever e gostar, e nisso era que eu me fixava naquela época: em escrever pra eu gostar; sem mostrar pra ninguém, sem querer a aprovação de quem estará julgando e me comparando com outros poetas. O que veio na Semana Cultural da Cidade de São Paulo, um evento de união de cultura entre as escolas do Estado, eu acho.

               Lembro apenas que para se inscrever no concurso de poesias os alunos tinham de ter a aprovação dos seus professores de Língua Portuguesa... nossa! Aí foi pesado! Foi porque eu queria participar, mas sempre tive intrigas com todos os meus professores... e sim, ele (o de Português) embarreirou na minha!

              “- Nossa Hiago, você escreve bem... mas, será que isso é poesia?” Foi o primeiro comentário que ele fez.. depois deste foram só paldadas, ou seja, mais do mesmo, e acarretando o pior: écloga, ode, elegia, e o diabo a quatro eu via nas aulas de Português... insinuações de como e o que deve ser um poeta... nossa, eram rotina de minutos nas aulas daquele professor... e sem querer ficar me fazendo de vítima, eu revidei.

                 Acordei numa madrugada chuvosa de Junho do ano de 2003 e ao lado da cama peguei o caderno das poesias( escrevia todas só no caderno); Ali, na capa eu escrevi por cima do desenho “Prosas Que Versam” e de sub-título: “... e as vezes rimam”! Mas o que isso significa? Sim... isso quer dizer que eu não estava nem aí pras éclogas..odes e essas parafernálias de poeta metidinho, quera fazer a minha poesia!E o que ela se tornou? Não um verso livre... não, ficou com um nome, um sub-gênero: o Prosas que versam!

                “-Rá... rá... Que graça!”Foi mais ou menos isso olhar traduzido do meu veneravelmente nauseado professor ao ouvir eu explicar tudo aquilo... mas o pior foi a parte da crase: “- Hiago! Você quer ser poeta.. e criar um novo modo de fazer poesias... mas já ouviu falar da crase? Não dei aula disso ainda pra vocês! Como você quer nomear um livro... já errado? Sabe...(e as vezes rimam) tem crase! E do mais Hiago... Um livro de poesias pra ficar bem completo tem de ter no mínimo cem poesias... aqui, pelo visto você só tem uma boa (Originalmente Rimando)... vamos menino... deixa isso pro ano que vem... lá você vai ter pensado melhor se quer ser poeta, ou se não...”

                    Nossa! Quem precisa de um desamor pra ter uma depressão que nem aquela professor queria me dar? Xxxi.. eu ria e sorria.... ele não compreendia, eu sabia da crase.. e era de propósito! Ele me chamava de sarcástico e falso pelos cantos dos lábios, entre olhares de reprovação. Eu cheguei em casa vindo direto da escola neste dia, peguei meu caderno e escrevi mais vinte e seis poesias... só naquele dia! E na capa... ô capinha toda rabiscada já... acrescentei o número:111!

                    Pois é! Pérola aos porcos um dedéu! O professor morreria do coração pelo Hiaguinho... tadinho! Tadinho mesmo... foi ele quem me entregou o prêmio... mordido, eu publiquei o livro um mês depois! E que lavada! Dei um exemplar pra ele de recordação.. do nojento que ele era... mas acredite... não tem uma poesia ali que ele não tenha de cor e salteado... idiota! Ele era um bobão, mas todos merecem a chance de mudança... oh sim, claro.

                  Agora, era questão pessoal! Ele dava a matéria o depois da fala dizia: “- Sr. Hiago.. tem algo a acrescentar?” Rsrsrsr eu rachava o bico junto com a sala e dizia: PROFESSOR.. O SENHOR LAVOU O ROSTO HOJE? ESCOVOU OS DENTES? CORTOU AS UNHAS?

NOSSA.. ELE FICAVA DOIDO, MAS NÃO PREVIA O PIOR...: MAIS UM LIVRO... SIM, O 112!


 


 


 


 


 


E você... gostou deste livro?

Data: 2008-06-14

De: Fernanda Fragoso Simões - Jornal: O Estado de S. Paulo

Assunto: Se gostei do livro?

Hiago... o pessoal todo aqui do jornal tá lendo!!! Por que você não gosta de dar entrevistas cara? É.. eu sei do lance do estrelinha, vi algumas entrevistas suas já... mas sei lá.. acho que falta alguma coisa a Literatura... sabe... os escritores só vão se juntar se se conhecerem... mas como alguém vai poder conhecer o Hiago Rodrigus Reis de Queirós se você ficar trancado num quarto Hiago?

Adorei seu livro viu... e já li os outros... todos! Valeu por existir... a Literatura Brasileira tava precisando de um ar... você uma ventania...

P.s: qo pessoal tá falando algo sobre um site do seus fãs... isso vai existir ou não?

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Data: 2008-06-17

De: Hiago R.R. de Queirós

Assunto: Re:Se gostei do livro?

Obrigado por tudo Fernanda... a você e ao pessoal do Jornal...

Viu... você sabe o que eu acho que ficar pagando de estrelinha em jornalzinho enquanto escritores talentosos são disperdiçados por falta de oporunidades.. enquanto eu conhecer um escritor que saiba criar bem, e que não seja reconhecido por isso, não vou me sentir digno de eu estar lá representando ele.. porque ele não sou eu.

Mas mesmo assim.. muito obrigado mesmo, por ler meus livros e por aqueles comentários críticos, que me ajudaram a me ensinar... a ter paciência.

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