As Cinzas da Fênix

 

 

                      Quando penso em escrever alguma história, nunca ela está completa. Assim, escrevo dez ou vinte capítulos e depois, depois pensando na história e nas cruzadas que ela dá, é que dou um retoque final. - O problema é que sempre acho que algo faltou.

É como fazer uma esquina, e desta esquina, fazer uma encruzilhada, e nesta, abrir bem no meio, mais uma esquina, e desta esquina, mais uma e das duas, uma encruzilhada, e outra esquina e e outra esquina, uma encruzilhada... E assim vai.

 

                      Quando escrevi este livro, estava quase terminando outro, o chamado: Uma carta para João. Notei que não conseguiria dar resultados a nenhum dos dois e decidi fazer um a cada vez. Ao final do outro, retomei-me a escrever este, mas já estava desanimado, tinha uma depressão, uma tristeza ao perceber que ainda faltava algo no livro que eu terminara, e quase decidindo largar de escrever, comecei a bater algumas letras no teclado. Quando, sem mais nem menos, surgiu ao meu olhar a visão fosca de algo que, embora eu não visse, sabia que iria dar uma boa história.

 

                     Tomei-me a escrever e materializei a tal visão num vilão chamado Luíz. Daí, no livro, na história, percebe-se um suspiro, uma retomada de ar nos pulmões, bem funda, pronta a desenrolar-se numa bela resolução para quadro que eu deixei incompleto. Retomada, porque o enfocado no contexto, é de observância, em como separar o vilão do herói, como perceber o fio finíssimo que oscila, ora para o lado do mal, ora para o do bem, trazendo assim, toda a história que conhecemos até hoje.

 

                     O Luíz nesta história, entra como a certeza, o ponto extremo na escala do mal, mas ao analisar toda a trajetória de Ônix, você vai percebendo que em grau de maldade, o que muda-se do Luíz é apenas a vítima. No final, temos talvez o mais importante: Quando fixa-se o vilão como sendo o Luíz, e o herói, como o Ônix, o que se lê nas entrelinhas, é que o herói do herói, ou seja, o herói do Ônix é exatamente o vilão de toda a situação, e que, colocado desta forma, o único vilão é exatamente ele, uma vítima de sua história, e por isso, um vilão inconsciente de si mesmo com sendo do mal.

 

                   Espero sinceramente, que encontrem e sigam a linha de raciocínio que eu tracei nesta história. E, por falar em linha, lembrei-me agora do meu amigo, talvez, um dos meus heróis e com certeza, um dos melhores escritores que já li; lembrei-me da tarde de domingo chuvoso em que lia um livro chamado: “A Colônia Penal”; ali, percebi que não estava sozinho, e sobre isto, percebi que deveria ter algo para escrever. Tinha dez anos, e fascinava-me com os romances do Kafka.

 

                   Mas, falava eu de fios? Então, neste livro, conheci uma criatura chamada Odradek e eu lhes apresento a partir deste trecho escassamente traduzido e entendido por mim: “...Ociosamente, pergunto-me o que será dele. Pode acontecer que morra? Tudo o que morre tem que ter tido alguma espécie de intenção, alguma espécie de atividade, que o tenha desgastado; mas isso não se pode dizer de Odradek. Será possível então que continue rondando pelas escadas e corredores, arrastando pedaços de fio diante dos pés de meus filhos e dos filhos dos meus filhos?evidentemente, não faz mal a ninguém, mas a suposição de que possa sobreviver-me me é quase dolorosa (ao mesmo tempo que me fascina)...”.

               Odradek, é uma criatura travessa, que enrola fios nos sapatos das crianças e estas carregam os fios até a morte sobre o caminhar. Que este livro seja o real Odradek, e que os fios sejam as histórias apresentadas por ele; que não morram ao fechá-lo, pois a idéia deste livro sobreviver-me, quase me mata... De felicidade por seguir pela vida com quem ler esta introdução e o livro, e até à morte levar um momento de fantasia, um momento que nunca existirá, além de agora, no seu coração.

 

             “Dedico este livro, a todas as pessoas mesquinhas e odiosas da própria vida, que nunca acreditaram que eu ser escritor seria viável; que não era nada além de um sonho ou mais uma das mentiras contadas por mim com tanta veracidade enquanto sorriam....

Peço que agora leiam, e se espremam no sorriso mais falso que eu verei em toda a minha vida dizendo... o quê? Deixem-me no silêncio daqueles momentos..”


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Data: 2009-03-30

De: BÁRBARA KLINUBING ZANIOL

Assunto: AS CINZAS DA FÊNIX

Parabéns por sua lucidez e por sua força : AS CINZAS DA FÊNIX.
Sinto em você uma vitória sem precedentes.
Assim será minha história, no futuro.
A sua história, será um grande exemplo para mim.
Paarabéns ! ! !
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“Dedico este livro, a todas as pessoas mesquinhas e odiosas da própria vida, que nunca acreditaram que eu ser escritor seria viável; que não era nada além de um sonho ou mais uma das mentiras contadas por mim com tanta veracidade enquanto sorriam....
Peço que agora leiam, e se espremam no sorriso mais falso que eu verei em toda a minha vida dizendo... o quê? Deixem-me no silêncio daqueles momentos..”

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