Hotel da Miséria Humana

 

 Oi, tudo bem?

                Estranhou a pergunta? É... Sabe que foi pensando nisto que escrevi esta história? Pensando em como você responderia a ela, como seriam as suas sensações, ou embaraços ao juntar todos os trapos desta colcha de tramas.

 

                  Daqui para frente, estarei pensando no teu olhar, a cada parágrafo terminado, pensarei e analisarei como tal capítulo se juntará no contexto que você está interpretando dentro da sua mente. Pois assim ao menos para mim é mais fácil de entender do porque somos tão diferentes, se você entende exatamente o que eu disse, somos diferentes no fascínio.

 

                         É fascínio sim. Não sei muito bem explicar esta palavra. Mas sei que quando tenho eu uma idéia, se logo ela me fascinar, vira um livro facilmente. Como no caso deste. Que até hoje não encontrei um foco. Um ponto que não fosse o Félix, ou o drama que o envolve. Mas aí seria covardia e injustiça com todo o resto, então novamente me perco no início... onde estará o tal foco?

 

                Tive o prazer de conhecer um rapaz chamado Iury; e embora quase nenhuma característica da vida do Félix se compare com a dele, não sei o porque de a cada descrição, cada entrada de novo capítulo, o olhar do meu amigo vinha à minha mente, como se realmente ele estivesse aqui e contasse ao meu ouvido toda a história. Foi nisto, que o escritor encontrou um garoto saindo do esgoto, pois me percebi dentro desta narratória apenas no fim, não foi nada planejado antes.

 

                          O resto é apenas detalhe. Sendo citado por mim como um lugar normal, disse apenas o pouco do horripilamento que me dava ao mesmo tempo que tanto me agradava - e ainda me agrada muito – a Zona Oeste de São Paulo, que seja do fundo de Perus com todas as escassidades da vida da gente pobre, minha gente, até à Barra Funda, onde ocorre toda a história e não deixa de ter perigo, movimento miscigenado e, acima de tudo, muita superficialidade com a realidade.

 

                            Lembro-me que andava por esse bairro tenso acima do normal e de sempre; andava e sentia no ar um som de calma, como se ali eu estivesse em outra dimensão, a da mentira, fantasia, ou pragmatia. Definitivamente, eu percebia que ali não era o meu lugar. Que ali, eu morreria, ou me mataria por não ter morrido, se naquele... Lugar intimamente incomum eu permanecesse. Então, o Félix fui eu, foi o meu amigo, e foram todos os mendigos que eu encontrava durante a madrugada, na volta do serviço para casa. Por isso esta capa, pois cada um deles poderia a ter desenhado, eu a fiz, e é um rabisco, um que nota-se tudo que a história pede para ser notado. Era óbvio que uma historia como esta só poderia ser escrita desta forma, com um olhar para fora da vida do rapaz, sem que ele a contasse, mas que ficasse explícito como era e qual era a vida que ele queria ter, e nunca teria. Por isso dedico a você!

 

                                Você, que se olha no espelho e vê que a vida passou; vê que o que sempre quis ser, nunca será mais possível tornar-se. Você que acorda pela madrugada e esconde-se no canto mais próximo da casa, pois é incapaz de reconhecê-la, pois não é a casa, nem o lugar, nem a noite, nem você em que queria estar. Você, o que é o que não queria ser. Esta história é para você.

 

Agradecimentos:

 

                         Minha amiga, ou meu amigo leitor;

sei que – como eu – já deve ter passado por poucas e boas nessa linha desalinhatória e emaranhada que é a vida de seres complexos como nós, mas eu aqui quero propor um sorriso, não um brinde.

 

                    Aqui não temos taça, temos um monte de papel; aqui não temos vinho, temos apenas letras, e por elas ter, peço-te um sorriso. Sim, um aberto sorriso, porque somos vitoriosos... nós aqui chegamos... e podemos sorrir daqueles dias. Sou eu uma ponta do que tenho dentro de mim aqui para você colocado no papel, e o que trago em mim fora dele espanta quem me visita por dentro, nos desencaminhos deleprosos do meu coração. Quem aqui entra se assusta, mas não deixa de rir, então sorria, aqui você está dentro, você chegou até aqui... é quem ganhou, e eu aqui estou, com um sorriso, e um agradecimento... a você, e a pessoa que escreveu minha trilha sonora, a quem mantenho o respeito e a admiração ao lhe mostrar a letra do que me regeu, nesta sinfonia de palavras... fatos e sonhos. A tradução é minha.. a competência de tradução incompetente também, e portanto a responsabilidade por sua compreensão sim... essa também é minha... mas, vamos a ela?


Se leu o livro, qual é a sua opinião sobre, frente ao que eu escrevi?

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